terça-feira, 21 de junho de 2011

Gira Dança mobiliza o calçadão de Londrina em intervenção urbana que aproxima artistas e público...


Dentro da cabine de telefone vermelha, em estilo britânico, localizada em frente ao Teatro Ouro Verde, quatro pessoas apertam-se, debatem-se, sobem umas sobre as outras, gritam. A porta se abre, e o rapaz de cadeira de rodas que estava do lado de fora salta num golpe de braços, entra no cubículo apertado e engrossa a massa humana. Fecha-se a porta. Um homem com máscara de oxigênio saltita em torno da cabine apoiando-se em pequenas muletas.


A essa altura, o círculo já é imenso: uma clareira circundada pelos pares de olhos curiosos dos transeuntes interrompidos. Um ou outro que esquece de olhar em volta, passa bem próximo e assusta-se. “É um grupo de teatro?”, pergunta a moça. Mas ninguém tem a resposta. A senhora ao lado sussurra em bom tom um “meu Deus, que susto!”, quando vê o artista de máscara. Já outra menos pávida e mais crente, conclui: “Estas pessoas estão possuídas por demônios”. E segue seu caminho com a benção divina, não sem antes dar uma olhadela para trás.

Exorcizar a sociedade de seus preconceitos. É justamente a intenção da Companhia Gira Dança, de Natal (RN), em intervenções urbanas como esta. Formada por pessoas portadoras e não portadoras de deficiência física, a trupe reúne artistas que, ao demonstrarem suas potencialidades, alertam a sociedade sobre a relatividade das diferenças e a necessidade de olhar para o outro com igualdade e respeito.

“O preconceito acontece por falta de informação. Algumas pessoas pensam nos deficientes como doentes, incapazes. Quando você aproxima o público, consegue ter um olhar diferente, com mais sensibilidade”, reflete Anderson Leão, diretor artístico e fundador da Gira Dança.

Para que a performance seja bem sucedida é preciso que os passantes não estejam preparados, mas surpreendam-se com os atos cênicos que irrompem no vai-vem quase banal das ruas. “A obra artística vai até o espectador, e não o contrário. É a ocupação de um espaço público, para provar que a dança acontece em qualquer lugar, como um jogo”, explica a assistente de direção Jaquelene Linhares, que acompanha o grupo desde 2009.

Jaquelene também participa da intervenção. Esconde-se atrás de uma criança, pede um abraço, e baila por entre fileiras de passantes. Há interrogação nos olhares e indignação quando um rapaz é jogado com agressividade da cadeira de rodas. Mas ele reage com irreverência, afrouxa os parafusos e começa a brincar, no chão, com os pneus. A todo o momento, cria-se e destrói-se a tensão.

A intervenção é formada por fragmentos do espetáculo “A Cura”, que o grupo apresentou nos dias 16 e 17, no Circo Funcart, acrescidos de uma série de improvisos. Segundo Anderson, os treinamentos em sala de aula auxiliam na naturalidade e rapidez desses jogos de rua no momento da performance.

A Cia Gira Dança nasceu em 2005 por iniciativa dos bailarinos Anderson Leão e Roberto Morais. O trabalho cresceu e o grupo tornou-se uma ONG e um Ponto de Cultura. Com pesquisa já consolidada na criação artística com portadores de deficiência, a Cia. Gira Dança já se apresentou em vários palcos e ruas do Brasil. Em abril deste ano, a trupe mostrou também o trabalho em Berlim, na Alemanha.

Fonte: Renato Forin Jr/Acessoria de Imprensa FILO
Foto: Acessoria de Imprensa FILO

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Acontecimento 01 – “Tubo de Ensaio”.

Cartaz do evento

O processo intitulado Acontecimento 01 – “Tubo de Ensaio”.
É o resultado do projeto “Corpo experimento” da bailarina Jaquelene Linhares, contemplada com o Prêmio Interações Estética - Residência Artística em Ponto de Cultura 2010.
O sentido da palavra acontecimento 01 nesse projeto de pesquisa está direcionado com a construção de um “mapa cênico” (descobrindo a cena e suas nuances), que conceberá, como outros que virão, o próximo espetáculo da companhia Gira Dança.
Sexta-Feira 10/06 no Espaço Gira Dança com duas sessões às 19h e 20h.
Ingressos limitados à dois Reais.
Vendas no local.
Saiba mais: http://corpoexperimento.blogspot.com/